Crônica

TE AMO, FADINHA

Carrinho de rolemã. Disputa de taco. Competição de bolinha de gude. Pedalar sem as mãos no guidão. Escalar o muro do vizinho nas fugas de polícia e ladrão. Arrematar figurinhas no bafo. Empinar pipa bem lá no alto do céu. Apostar corrida e ganhar dos meninos de lavada. Jogar frescobol sem deixar a bola quicar na areia. Pegar jacaré até ralar o queixo na beira d´água. Olha, não tem brincadeira

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Prancha com rodinhas

Mal o almoço assentara, o pai o chamou e disse que compraria a tal “prancha com rodinhas”, porque não aguentava mais aquele choramingo diário. A mãe, que passava pela sala, arregalou os olhos, mas não interveio. Deu tempo de ouvir que os treinos de futebol continuariam, porque poderia lhe dar profissão e dinheiro. Quanto aos estudos, nada disse. O garoto sentiu o coração disparar. Tinha a impressão de que aguardava

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Uma Olimpíada para chamar de minha

Imagine os melhores atletas do mundo jogando, correndo, nadando, lutando, só para você assistir, vidrado, a poucos metros da ação, sem ninguém interferir, nem falar, nem torcer. Nem torcer. Nem torcer. Pela primeira vez na história é possível assistir a todas as disputas, isso mesmo, 100% dos eventos. Ao vivo. E o detalhe: sem locutores, nem comentaristas ou repórteres, nada de ex-atletas explicando coisa alguma. Nada além da transmissão estéril

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O filho de Vera Mossa

O site no ar, o futebol em campo e eu cheia de urticária esperando a abertura oficial dos jogos olímpicos de Tóquio. A velha mania: gosto de começar pelo começo! Pois bem, a pira olímpica está acesa e já brilham as primeiras medalhas. Por falar em fogo, também gosto dos pequenos detalhes. São eles que acendem a chama em mim. O primeiro deles: estamos assistindo a Olimpíada Tóquio 2020 em

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BRAZIL, ZIL, ZIL.

Mais uma vez, o ufanismo dos narradores esportivos ultrapassam a realidade das telinhas. Por mais que torçam, a verdade é que temos sempre as mesmas chances nos esportes coletivos e uma medalha pingada aqui, outra ali, nos individuais. Normal, não somos um país olímpico. Somos, o país das quadras e dos campos. Se no futebol e no vôlei, tanto de quadra quanto de areia, somos fortes e candidatos a medalhas,

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Primeiros sentimentos

Linda a minimalista e adequada a cerimônia de abertura. Deu saudade danada da festa do Rio em 2016. Pena que o que se sucedeu não correspondeu à belezura que foi. Comovente a medalha de ouro do tunisiano na natação. Gratidão ao Paulinho camisa 7 do futebol por me ensinar que, ao contrário do senso preconceituoso comum, Exu é energia boa. Laroiê Exu! O orixá da comunicação e da linguagem. O

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A FADA DAS RUAS

Na cidade do interior de São Paulo na qual resido, chamada Socorro, sempre houve bastantes skaters. Várias das minhas amizades foram desse meio, que já deixou de ser marginalizado, tanto que foi incluso nas Olimpíadas de Tóquio (com Kelvin Hoefler conquistando a primeira medalha brasileira, prateada, de skate street), juntamente com o karatê e com o surf. Hoje dá para encontrar criança cool, descolada, com cabelo pintado e boné manobrando

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Decathlon

Vivi minha adolescência nos anos 80, para muitos uma das mais importantes e revolucionárias décadas da história cultural do nosso Brasil: momento em que pudemos, finalmente, respirar ares democráticos, represados de forma autoritária há muitos anos. Infelizmente, hoje esse atributo está em xeque, tendo em vista que as pesquisas mostram que parte considerável da minha geração foi e está sendo, a grande responsável pela situação política que estamos enfrentando. Voltando

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Retratos impressionistas

No meu primeiro contato com a Olimpíada, dia da cerimônia de abertura, pensei em Monet. Imaginei-o olhando paisagens, fazendo recortes e colhendo fragmentos visuais a fim de transformá-los em arte. Nem precisaria, mas adianto-me em dizer que não estou me comparando ao pintor francês. Refiro-me ao método. O impressionismo se caracteriza pelo olhar pessoal daquilo que se observa. Não o oficial, não o formal, não o burocrático. Foi assim que

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Biscoitos de Arroz

Quando soube que as medalhas para as Olímpiadas de Tóquio iam ser feitas da reciclagem de celulares antigos, imaginei um amálgama de metais, plásticos e fios com a aparência de um biscoito de arroz. Um a um pintados de ouro, prata ou bronze. Guardei esta imagem singular e só ontem, com a abertura oficial fui atrás da notícia completa. Viajei demais na imaginação e as medalhas de um evento mundial

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