TE AMO, FADINHA

Carrinho de rolemã. Disputa de taco. Competição de bolinha de gude. Pedalar sem as mãos no guidão. Escalar o muro do vizinho nas fugas de polícia e ladrão. Arrematar figurinhas no bafo. Empinar pipa bem lá no alto do céu. Apostar corrida e ganhar dos meninos de lavada. Jogar frescobol sem deixar a bola quicar na areia. Pegar jacaré até ralar o queixo na beira d´água.

Olha, não tem brincadeira que eu não desse conta na minha travessa adolescência.

Mas subir num skate e ficar meio segundo ali em cima, parada, sem cair, valha-me deus!

Consegui foi nunquinha.

Para mim conseguir andar de skate era o meu calcanhar de aquiles.

Não havia jeito.

A galera até que era gente boa. Contrariando meu pai – que achava que skate era coisa de moleque de rua, bem longe de ser algo que uma menina comportada, no caso eu, sequer cogitasse pensar em fazer -, os meninos não davam ouvidos a ele e assim que meu pai virava as costas, lá estava a molecada da rua me ajudando a subir naquela tábua que insistia em me desafiar e me fazer lamber o chão.

Foram inúmeras tentativas, mas… não teve jeito.

Eu não nasci para o skate e o skate não nasceu para mim.

Não tivemos um caso de amor.

Definitivamente, não fomos feitos um para o outro.

Em compensação, há casos de amor entre skates e meninas poderosas.

E se tem uma coisa que amo é ver meninas conquistarem terrenos onde eu jamais consegui pôr os pés.

Eu me sinto na pele delas. Como se fosse elas.

Eu vibro por elas, como se aquela vitória estivesse acontecendo comigo.

Meu coração vibra tanto que faz manobras radicais de contentamento.

Hoje acordei e dei de cara com a gloriosa e merecida conquista da nossa Fadinha Rayssa Leal.

Com apenas 13 anos – a mesmíssima idade que eu levava tombos atrás de tombos – ela estraçalhou no street skate.

Com sua performance madura, apesar da pouca idade, a Fadinha Rayssa mostrou a que veio.

A medalha de prata ofuscou meus olhos.

Acho que nunca tinha visto uma medalha brilhar tanto.

Rayssa, você brilhou em nossos olhos e iluminou nossos corações.

Agora você é a prata da casa.

Você resgatou aquele quentinho no peito que todo brasileiro quer tanto sentir de novo.

Você é minha ídola.

Obrigada por, tão menina, me ter feito mais mulher.

Estou com um orgulho danado de você.

Estou certa de que este meu sentimento prateado está reverberando em milhões de corações verdes e amarelos.

Valeu, Fadinha!

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