Tóquio 2020-21

O que diz Rebeca Andrade

Quando a gente participa de um projeto como o Crônicas Olímpicas, ao lado de craques do país inteiro, o maior temor é repetir o que todos já disseram. Por isso tento fugir dos temas mais quentes e mostrar um olhar enviesado, pra algum detalhe no qual ninguém está prestando atenção. Mas hoje, depois que acordei às 5h45 pra ver o ouro de Rebeca, como fugir daquela pra quem todos os

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AS YARAS, O DEVIR-ÍNDIA, O DEVIR-SEREIA

Durante o período olímpico, com a chama dos deuses bafejando o espírito esportivo, o Brasil estava e está em chamas que dividem os espíritos, as classes, desafiam paradigmas e matam (registros, arquivos e pessoas). Na Avenida Santo Amaro, na cidade de São Paulo, a estátua de Manuel da Borba Gato foi chamuscada em uma tentativa de incêndio pelo movimento Revolução Periférica. Borba Gato foi Juiz ordinário da vila de Sabará,

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A luz do sabre de Darth Vader

A guerra é nas estrelas, e Darth Vader, a figura nebulosa por trás do lado sombrio da força, assusta. Ele tem uma ruidosa respiração mecânica e um andar em marcha, marcas de um Darth Vader que eliminou de si o lado humano que um dia lhe pertenceu. Para usar de metáforas, pode-se dizer que muito além do vermelho sangue, é também sombria a luz do sabre de Darth Vader, que

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Amor olímpico

O nosso amor É uma competição esportiva Cada jogada é decisiva E influi no cômputo geral (Nosso amor é anormal…) O seu beijo Vale por uma raquetada O seu abraço é uma espada Que esgrima com o meu punhal Você é louca pra abusar da violência Só de um juiz eu sinto ausência Para apitar os seus penais (Lá nas jogadas principais) Nesse basquete Só porque arremesso errado Vou logo

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O TEMPO PERDIDO

Em 2012, Rafa tinha sete anos e embora não conhecesse o esporte pelo nome, adorava os 100 metros rasos. Ele conseguia ver, na televisão do bar, uma corrida quase instantânea de homens e mulheres com pernas muito fortes. A sorte é que o tempo até a linha de chegada era um pouco menor do que aquele em que o dono do bar o tocava dali. Dava para assistir. Ele torcia

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Mayra Aguiar, bronze dourado

Força, técnica, garra e humildade. Qualidades de campeões e campeãs. Quanto vale uma medalha em qualquer competição? Quanto vale uma medalha olímpica? Quanto valem três medalhas olímpicas em três edições diferentes? E se essas medalhas forem conquistadas por uma só pessoa? E se essa pessoa é uma mulher? Que alegria assistir à gaúcha Mayra Aguiar dar espetáculo nos tatames e ser o grande destaque do judô brasileiro nos Jogos Olímpicos

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Indomáveis

Marta e Formiga adentraram a sala para a entrevista após a desclassificação. Cabeças erguidas. Estavam com aquele semblante de desfecho que dói. Cara de quem tem saudade do que não se viveu o que se desejou tão intensa e verdadeiramente. Sentaram-se. Formiga abriu a garrafinha de água à sua frente, pegou um copo e serviu Marta, que lhe agradeceu. A assessora de imprensa abriu a coletiva com Augusto Garcia, da

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Minhas queridas olimpíadas de verão

Olimpíadas é algo que, se você não consegue acompanhar devidamente com TV e sofá, melhor desacompanhar indevidamente, ou seja, trocando o conforto da casa pela participação mambembe como atleta de férias em suas próprias competições fantasiadas. E cá estava, armada com um instintivo e emocionado furor olímpico, já em minha primeira prova individual, descendo a íngreme escadaria forjada nas falésias da costa vicentina, em plena ventania algarvia. Sim, a primeira

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Diferenças culturais

Ela foi convidada para o badminton aos 23 anos. Fazia outro esporte. Gostou e permaneceu. A sua adversária iniciou-se aos 7, pois era um esporte popular na escola. Ela se desenvolveu muito. E chegou lá! Fez a sua estreia nos Jogos Olímpicos, aos 33, com 10 anos de prática. A gringa também estreou trintona, mas tinha 23 anos de prática. O jogo iniciou. Chegou a estar 13×1. Terminou 21×9. No

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O salto da periferia

Quando Daiane dos Santos saltou para o ouro no solo de Anaheim (USA), a travessa Rebeca Andrade dava seus pulinhos no chão de dona Rosa. Levada para fazer um teste em um projeto social da prefeitura de Guarulhos (SP), ouviu da treinadora responsável em tom de brincadeira: “Uau! essa é a futura Daiane dos Santos!” O “Brasileirinho de Daiane” abria não apenas os olhos de profissionais, mas as lentes do

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