Crônica

O que Karen Janz botou na mesa

A tsunami de emoções que vem do Japão direto para nossas madrugadas traz na espuma alguns objetos interessantes de razão e reflexão. É nítido que os Jogos estão revelando mudanças de comportamento, ora dentro de sua própria estrutura olímpica, ora com efeitos na evolução da humanidade. Há quebras de recordes e paradigmas. Reparem as modalidades estreantes. O surf e o skate chegaram para ficar e suas manobras radicais carregam novos

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Os cara é grande mas nós é ruim

Antes que me crucifiquem por assassinato da língua portuguesa, esclareço: tomo de empréstimo a fala de uma personagem do filme Meu nome não é Johnny, Mário Lima (2008). A ideia veio do nadador Bruno Fratus que a repetiu, com muito humor, para não se abater diante dos que citavam os seus 1,87m de altura como dificultador para bons resultados olímpicos como os alcançados pelos gigantes velocistas Florent Manaudou (1,99m), Nathan

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MÍNIMA PSICANÁLISE OLÍMPICA

Com a dita polarização de opiniões (geralmente isentas da preocupação com alguma argumentação cerrada) no espaço público brasileiro, não poderia ser diferente no caso da participação de nossos atletas olímpicos, que sempre sofreram com o fato de terem de enfrentar os riscos radicais de serem glorificados ou amaldiçoados do dia para a noite perante uma vitória ou uma derrota. Em minha crônica “Simone Biles e o Cansaço”, usei a concepção

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Marta, Rebeca e outras guerreiras

     Nunca fui particularmente afeiçoado a qualquer modalidade de esporte quando criança. Talvez a natação, vigorosamente praticada por Johnny Weissmuller nos filmes de Tarzan. Ou a esgrima, por causa do seriado do “Zorro”, com Guy Williams. Ou ainda o arco-e-flecha, por causa de Guilherme Tell e sua balestra, num velho seriado inglês. No entanto, essa jornada olímpica no Japão já nos pegou sentados no sofá, atentos à contagem dos mortos

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Espírito olímpico

“O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade.” A frase é atribuída ao educador francês Pierre de Frédy (1863-1937), mais conhecido como Barão de Coubertin, o nobre que inventou os Jogos Olímpicos da Era Moderna a partir de 1896. Na minha turma de esportistas, a máxima do barão nem sempre é levada ao pé da letra. Pelo menos no meu bom e velho basquete jogado desde o século

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Tricô é coisa de homem

Bons tempos estes em que um sujeito famoso, neste caso, o britânico Tom Daley, ouro do salto sincronizado de trampolim de 10m dos Jogos Olímpicos, aparece na arquibancada do Centro Aquático de Tóquio fazendo tricô e que a simpática imagem viralize mundo afora. A propagação massiva da cena nas redes sociais comprova o que eu sempre disse: tricô é coisa de homem. Você disse, homem? A pergunta veio de Guillermo

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Marta, a curadora

O sábado corria mais reflexivo do que de costume. Véspera de cumpleãnos é uma imersão existencial para mim. Vou tão fundo que preciso de dias para retornar. Alguma indicação de livro? Me envie. Terapia eu já faço! Aliás, logoterapia. Se me sugerir ir à igreja, te silencio. Eu reúno a minha igreja, de preferência acompanhada de petiscos e cerveja – a minha igreja é primitiva. Ouço um toque vindo do

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PESOS PESADOS.

Uma coisa estranha as provas de levantamento de peso. São atletas bombados, pesados, que bufam e gemem ao levantar mais de 200 quilos em arrancadas terríveis. A diferença entre o vencedor e o segundo ficou em míseros 1 quilo. Quem dorme com um barulho desse. O cara da prata vai ficar um mês ou mais pensando que por um quilinho não botou a dourada no peito. Já o vencedor, vai

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Barreiras de um cotidiano

Chico, todo dia ela faz tudo sempre igual. A nossa trabalhadora salta da cama às seis da manhã. Engole um café às pressas, e depois de duas horas no ônibus, salta no terceiro ponto da avenida dos bancos. E após cinco horas e meia de um árduo expediente, salta os olhos sobre a marmita requentada porque é preciso combater a fome para resistir às próximas cinco horas finais de trabalho

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BUFÔNICO MISTÉRIO

Achille Mbembe já usou o termo “racismo viral” ao invés de racismo estrutural. Essa noção de estrutural, que alguns afirmam ter raiz marxista, mas sem nunca terem encontrado exatamente onde, ou a terem claramente identificado em obras do revolucionário da dialética, talvez esteja, de qualquer modo, “obsoleta”, ou melhor, inadequada. Somos pós-estruturalistas, somos virais, viralizadores e viralizados pelas redes e pelos vírus biopoliticosociais que nos perseguem e que perseguimos. Assim

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