Crônica

Navegar é preciso

O biógrafo Plutarco, no século II, escreveu que Pompeu, o Grande (Cnaeus Pompeius Magnus – Século I a.C), dizia aos marinheiros acuados diante de uma tempestade: “Navigare necesse est; vivere non est necesse”. Muito depois veio Fernando Pessoa e seus poemas em língua derivada, querendo para si o espírito da frase que hoje uso como título. Ao mesmo tempo em que reverenciava seus ancestrais e o desafio de limites entre

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FAIRY PLAY

Boxe. Veja só. Uma atividade que me dá nos nervos. Cada pancada daquelas e parece que o choque é no meu corpo. No nocaute, então, a contagem decrescente vai aumentando a gastura no meu estômago. Semicerro as pálpebras, retorço a boca, aperto os dentes. Sinto dores pelo olhar. Mas eis que fecho essa série de crônicas falando justamente sobre essa modalidade de que não gosto e mal consigo assistir. Por

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A BÊNÇÃO, BAHIA !

A Bahia tem tudo a ver com OURO. Talvez resquício do garimpo do ciclo do século XVIII, que unia Bahia a Minas através da chamada Estrada Real. Tanto naquela época como agora, as ricas pepitas brotam do solo fértil, transformadas em atletas olímpicos. Homens e mulheres que surgiram da terra bruta e abençoada e foram garimpar, no outro lado do mundo, nas Olimpíadas de Tóquio, suas medalhas do mais reluzente

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Chorar e agradecer

Para quem conquista medalhas, Olimpíadas são o tempo das alegrias. Para aquelas (es) que não sobem ao pódio, é o tempo de receber e prestar honras por terem, apenas, participado. Elas (eles) levam para casa a nobre atitude que, a cada quatro anos, ecoa como reafirmação do espírito dos jogos. Há duas imagens síntese desse espírito que foram repetidas inúmeras vezes em Tóquio. A primeira: é o choro, que pode

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O importante mesmo é vencer.

O que define uma derrota ou uma vitória?             Minutos, segundos, centésimos?  Metros, centímetros, milímetros?             Pode apenas uma fração determinar o sucesso e o fracasso? Não em uma Olimpíada. A conquista, para esses atletas, é muito maior.             A competição não começou no dia 23 nem terminou no dia 08. Eles venceram a dor, driblaram o cansaço, sobrepujaram as frustrações. Superaram seus limites e derrotaram os prognósticos.

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Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

Uma das coisas mais legais que ouvi nestes Jogos Olímpicos foi a Pia, técnica do futebol feminino, tocando e cantando “Tu vens”, do Alceu Valença, música que aprendeu no convívio com nossas atletas, com os brasileiros que desconhecia. Que mulher incrível, essa Pia! E ainda tem gente que pensa que lugar de mulher é na pia, na outra, a da desvalia. Nunca como agora as mulheres disseram a que vieram.

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Tentando entender o que passou

E os Jogos passaram como a canoa de Isaquias. Acabou-se o que era doce. Foi rápido, bonito, encantador, sublime, emocionante. Nas noites insones, sonhamos juntos os sonhos dos que suaram, choraram pela vitória ou pela derrota ou simplesmente por estarem ali, vivendo o improvável de uma Olimpíada que lutou para existir e bem fez por merecer existir. E agora, ao invés de adormecer exausto, desperto para dentro de mim e

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Ah, nossos terrenos baldios…

E mais um Jogos Olímpicos estão chegando ao fim. Tokio 2020 vai deixar saudades. Olimpíada que tivemos que esperar por um ano a mais, sem ter muito a certeza que chegaria mesmo em 2021. A pandemia presente. Protocolos. Muitos protocolos, poucas vacinas. Lá no Japão.! Quem diria? Dizem que o japonês é desconfiado, deve ser verdade. Estive lá no final dos anos 90 mas não percebi isso. Fiquei deslumbrado com

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Medalha de ouro para Jonne

Imagina estar em casa, nadando por águas calmas, e de repente ter seu aquático mundo invadido. E que diferente do morador, as estranhas invasoras usam pés e mãos para nadar? Sabemos que numa Olimpíada o foco são os atletas, aqueles que competem em modalidades esportivas, mas se fosse possível uma licença não poética mas artística nessa edição, Tóquio deveria conceder ao fotógrafo por trás dessa obra uma medalha de ouro.

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Dani-se!

Quando você foi bater o escanteio e o cara te jogou uma banana, pensei: “mais um caso emblemático de preconceito racial !” De fato, foi! Mas você, porque bem resolvido, porque arretado, porque baiano, porque lúdico, saboreou a fruta. Porra, sério? Você cagou para o eurocentrismo, para a ideia de subjugação, noves fora. Cara, que amor próprio! É como se você dissesse: acordem idiotas, as relações mudaram. Vocês não mandam

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