Tentando entender o que passou

E os Jogos passaram como a canoa de Isaquias.
Acabou-se o que era doce.
Foi rápido, bonito, encantador, sublime, emocionante.
Nas noites insones, sonhamos juntos os sonhos dos que
suaram, choraram pela vitória ou pela derrota ou simplesmente por estarem ali, vivendo o improvável de uma Olimpíada
que lutou para existir e bem fez por merecer existir.
E agora, ao invés de adormecer exausto, desperto para dentro
de mim e sou tragado por um redemoinho de sensações nebulosas, a princípio indefinidas, sentimentos embolados,
que devem ser nomeados e reconhecidos para que eu possa seguir vivendo quando a pira apagar.
A ver. Encanto. Adrenalina. Admiração. Reverência. Surpresa. Fascínio. Êxtase. Emoção. Respiração suspensa. Taquicardia. Olhos encharcados. Saudade. Vazio. Crise de abstinência. Ôpa!
E agora? Que faço dessa vida sem o feitiço das madrugadas?
É como se uma série de TV viciante acabasse.
Ou um livro delicioso chegasse ao ponto final.
Ou um espetáculo que a gente participa descesse o pano pela
última vez.
Obrigado a todos os envolvidos pelos instantes de deslumbramento, lições de resiliência, persistência, coragem, vontade, excelência, entrega, arte em movimento e esperança
na Humanidade.
A destacar: a alegria dos skatistas, os atletas amigos que dividiram a medalha ouro, a pureza carismática dos meninos e meninas medalhistas do Brasil, vencederes e derrotados aplaudindo uns aos outros, o cavaleiro que desistiu do percurso por sentir que a égua estava cansada.
Belos gestos, breves tempos.
Adoráveis breves tempos.
Saudosos breves tempos.
Vai ser duro varar a noite dormindo com a televisão e a alma desligadas.
Bola pra frente, senhoras e senhores.
Que venha a maratona da realidade de máscara e mãos lavadas.
Que venham as quedas e suas voltas por cima.
Que venha o jogo da vida como ela é.
Somos olímpicos.

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