Crônica

SINS E NÃOS

Aí a pessoa é cega e joga futebol, e não tem os braços e nada em alta velocidade, e tem uma prótese e voa baixo, pelas faixas da pista. Não, não é superação. É talento, é escolha, é caminho decidido a cada dia, como o de qualquer um de nós. Nas bilhões de pessoas que existem no planeta, as deficiências e habilidades convergem, se atropelam, se expressam, se impõem, são

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Em primeiro lugar os outros, depois ele, o campeão

A 100ª medalha de ouro do Brasil na história dos Jogos Paralímpicos veio com o recorde mundial no atletismo, nos 1.500 metros (classe T11, cegos). Disparado. O autor do feito histórico, o atleta Yeltsin Francisco Ortega Jacques, nasceu com baixa visão (0,5%), em Campo Grande (MS), em 1991. Todo mundo viu pela televisão ele e seu inseparável atleta-guia Carlos Antônio dos Santos, o Bira, faturarem esse cobiçado ouro. Nosso Yeltsin

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Qual é o laço que nos liga?

Um laço, feito com uma fita. Um laço, afeto que nos liga. Elos de ligação, abraço, o entrelaçar-se dos corpos. Quando criança, as tranças do meu cabelo eram feitas com fitas, muitas delas e de toda as cores, e que com um laço minha mãe dava o toque final ao acabamento. Doía a puxada no cabelo para que o resultado saísse perfeito. Hoje, as tranças dos penteados infantis ficaram no

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Porque não é sobre superação, mas pertencimento

Segunda-feira, eu começo a dieta. Na terça-feira, eu paro de fumar. Já na quarta-feira, eu me matriculo na academia. E na quinta-feira, eu inicio o curso de inglês. No dia seguinte, sexta-feira, eu troco a pilha do relógio. No sábado, eu levo o secador para arrumar. E no domingo, eu me arrependo por não ter conseguido cumprir as metas da semana que eu me propus, então eu inicio um novo

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Resultados de uma “década”

Esta aí da foto é a Silvânia Costa, a sul-mato-grossense que levou uma medalha de ouro hoje no salto em distância para cegos, saltando 5 metros. Não é fichinha, não é abobrinha. É alto desempenho. Veterana em conquistas, Silvânia ajudou o Brasil a subir mais alto no quadro de medalhas e mostrar a sua força. Mas não é apenas a força de vontade, o espírito de superação e disciplina que

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Nosso paradoxo paralímpico

Já dá para acreditar que o Brasil seja uma potência nos esportes paralímpicos. Hoje, sexta feira, 27 de agosto de 2021, estamos em sexto no ranking de Tóquio 2020 e tudo indica que a penca de medalhas tenda a aumentar. Que seja assim. Nossos atletas paralímpicos são admiráveis em superar o destino, os revezes da vida e em esbanjar uma alegria comovente, misturada à gratidão, a cada ouro, prata e

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Para tudo!

Para tudo! Para ver. Para apreciar. Para assistir. Para sofrer. Para chorar. Para solidarizar-se. Para torcer. Para não dormir. Para entusiasmar-se. Para encantar-se. Para vibrar. Para vislumbrar. Para implorar. Para rezar. Para cantar. Para registrar. Para curtir. Para compartilhar. Para postar. Para vivenciar. Para ouvir. Para ler. Para mim, um texto. Para você, uma leitura. Para a imprensa, registros. Para eles, competição. Para os pescoços, medalhas. Para o Brasil, idolatria.

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Superação ou treino?

Li recentemente uma matéria do El País Brasil, sobre a atleta e medalhista paralímpica Verônica Hipólito, falando das postagens dela em redes sociais a respeito dos clichês e termos preconceituosos utilizados pelas pessoas, ao comentarem sobre o desempenho de um atleta nas paralímpiadas. “Não é superação, é treino”, escreveu. Entendo o que ela quis dizer com isso, porque muitas vezes se usa o termo superação pelo simples fato de alguém

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DORES LOMBARES E INSPIRAÇÃO

Estou aqui, depois de voltar à prática de atividades físicas agora que as temperaturas estão mais amenas, já sofrendo com dores lombares, e também no pescoço e nas pernas. Sou um ser fragilizado diante do primeiro desafio: manter uma semana de exercícios, alternando a esteira com caminhadas pelas estradinhas da região serrana. Semana ainda pela metade, eu já me sinto triturado, amassado, dolorido, cansado, praticamente acabado. Mas não vou desistir.

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Braçadas de campeões

Os Jogos Paralímpicos começaram e o Brasil chegou chegando. Desculpem-me, mas como cobri a edição brasileira, em 2016, vou voltar a ela muitas vezes aqui, pois foi uma das coberturas mais marcantes da minha vida de jornalista. Fiquei uma semana no Rio, atravessando diariamente a linda capital fluminense até a Cidade Olímpica pra invariavelmente me emocionar. E um dos motivos maiores de tanta emoção era sempre a natação. Não sei

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