Porque não é sobre superação, mas pertencimento

Segunda-feira, eu começo a dieta. Na terça-feira, eu paro de fumar. Já na quarta-feira, eu me matriculo na academia. E na quinta-feira, eu inicio o curso de inglês. No dia seguinte, sexta-feira, eu troco a pilha do relógio. No sábado, eu levo o secador para arrumar. E no domingo, eu me arrependo por não ter conseguido cumprir as metas da semana que eu me propus, então eu inicio um novo ciclo, prometendo e reafirmando o compromisso de colocá-las em prática na semana seguinte.
Eis o retrato do sujeito comum, aquele que posterga suas próprias ações, e entra num processo de auto-sabotagem “ad eternum”.
No entanto, um dia ele consegue, e percebe ter superado seus medos bobos, e a sua própria falta de vontade.
É do senso-comum achar que atletas paralímpicos são exemplos de superação, porque ao olhamos para eles apenas desse modo, sem querer os colocamos distantes de nós.
São pessoas, pessoas com determinado grau de deficiência, não muito diferente das demais, aquelas com déficit de empatia, déficit de bom-senso, déficit de cordialidade…
Cabe à sociedade como um todo a obrigação de superar preconceitos, inclui aí, também igual destaque na transmissão das competições tal como ocorreu nos jogos olímpicos.
A partir de então entenderemos que pertencer é verbo de fácil conjugação, para eles, pessoas com deficiência, e para os demais, sujeitos sem deficiência… será?
Em Tempo. O Brasil ocupa, até o dia de hoje, a sexta posição no quadro de medalhas das Paralimpíadas de Tokyo.

Arte: Muro de Madrid, via Bansky (Facebook)

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