O sigilo da ostarina

Eu não entendi nada, você entendeu? Digo da tal da ostarina no corpo da menina. Tandara. Mas, mulher, como assim?

Acidental? Foi o que eu ouvi, lendo a única defesa escrita, o resto é sigilo, é coisa que corre em segredo, que pode ser fatal.

E nós? Estamos aí cara a cara com o não dito. Milito: até parece aquele lance dos políticos que, quando culpados, impõem sigilo de 100 anos para qualquer coisa que foi e não deveria ter sido, tudo para que ninguém critique, nem duvide, apenas perdoe. Note: o caso aqui é diferente.

O silêncio é de outro tipo. Acho.

Aquilo que foi dito, não acredito; penso, imagino e critico, olhe bem, Fernanda, que louco isso de uma cápsula de gelatina, de tamanho razoável – sim, eu pesquisei – contendo uma substância ilícita e proibida em qualquer medicamento liberado pela Anvisa, entrar no corpo de alguém por acidente, sem sequer contar com a ajuda de um copo de água, ora, que maluco, que sandice.

No raciocínio, é o Márcio que dá o tom: vai ver tinham alguns comprimidos no balcão da cozinha, ela escorregou e caiu de boca, sei lá.

Também não sei. Mas sei algumas coisas sobre o esporte que me faz acreditar que, sim, a ostarina está lá, no corpo da menina, tampouco ela nega, apenas silencia. E como eu não estou aqui para atirar a primeira pedra, vou mesmo é continuar aqui com meus botões digitais imaginando os tais jeitos acidentais que fantasio quando alguém engole um comprimido sem querer, sem saber, assim, meio que por engano, afinal, o esporte sempre teve bons exemplos de doping que não é doping.

Eu sei, parece que tem pouco a ver, mas acho que se a gente perguntar aos russos como é que se faz… psiu, é sigilo.

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