Marta, Formiga, Pia e companhia

Duas brasileiras, uma nordestina e uma negra, somadas a uma estrangeira. De olho, mais que nunca, no ouro olímpico, são elas, as atletas Marta e Formiga e a técnica sueca Pia Sundhage, os destaques da seleção brasileira de futebol feminino na Olimpíada do Japão. Tóquio 2020 virou Tóquio 2021 em razão da pandemia que paralisou o mundo e ainda faz muitas vítimas e gera muita tristeza e polêmicas no Brasil e no mundo.
No Brasil, uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal investiga possíveis erros e possíveis caminhos de corrupção, notícias ruins para o povo que sofre cotidianamente com a desigualdade, com as deficiências na educação, na saúde e em muitas áreas. Boa parte da população acorda de madrugada, viaja horas e horas em transportes coletivos lotados e se arrisca ao contágio pelas cepas do coronavírus para buscar o pão de cada dia.
Num país de maioria feminina na população, nas ruas, nas casas — em muitas, chefes de família —, nas escolas, nas faculdades e que busca mais e mais espaço nas instituições, no esporte, nas empresas, na política — no Senado, elas só são 14%, ainda que uma bancada atuante liderada pela Senadora Simone Tebet e com a presença da ex-atleta olímpica do vôlei Leila que se tornou a Senadora Leila Barros — , a modalidade futebol que, por muito tempo, era um jogo de meninos, rapazes e homens desperta, cada vez mais, o olhar da população, organiza-se, aos poucos, e inspira o combate a preconceitos.
A seleção de Marta, Formiga e Pia transformam esforços dentro e fora das quatro linhas com sabedoria e experiência para ensinar mais uma geração de atletas a se transformar em uma seleção para sonhar com o ouro olímpico, e mais que isso, a ser voz que inspire brasileiras a lutar, a sonhar e a realizar sonhos particulares, sonhos comunitários.

Pia canta e encanta

A técnica Pia Sundhage, que traz experiência internacional, duas medalhas de ouro olímpicas com a seleção norte-americana — Pequim 2008 e Londres 2012 — e uma de prata comandando a seleção sueca na Rio 2016, chegou ao Brasil em 2019 para ser a primeira treinadora estrangeira da seleção brasileira de futebol feminino no ciclo para Tóquio. E não é só à beira do campo que Pia encanta brasileiros e brasileiras. Para aprender ainda mais o idioma português, ela canta músicas brasileiras tocando violão. Quanta simpatia! Quanta gentileza!

Atletas experientes

As experientes Marta e Formiga esbanjam técnica e vontade vestindo a amarelinha em mais uma edição dos Jogos Olímpicos e são exemplos de firmeza na seleção — dentro e fora de campo — da modalidade e no mundo. Estão em campos olímpicos em busca da tão sonhada medalha de ouro mais uma vez.
O futebol, antiga modalidade masculina, não resistiu à menina de Dois Riachos, em Alagoas, destaque no futebol de várzea com os meninos, passou pelo CSA, chegou de mala e cuia ao Clube de Regatas Vasco da Gama, passou por vários clubes, fez sucesso na Suécia e chegou ao topo do mundo futebolístico. Por seis vezes, Marta foi aclamada como melhor da modalidade no Planeta. Hoje, a canhotinha de Dois Riachos é atleta do Orlando Pride, nos EUA, e segue sendo um dos exemplos de superação contra preconceitos no esporte brasileiro.

Marta, Formiga e muitas mulheres brasileiras sedimentam mais e mais esse campo de atuação dentro e fora das quatro linhas do futebol, dentro e fora do País.

As mesmas balizas e os mesmos campos dos homens vão se tornando palco para elas, centenas de brasileiras que suam sangue e lágrimas nos campos de várzea, em clubes pequenos e grandes, em busca de sonhos particulares.

Trabalhadora incansável

A incansável Formiga, com sete participações olímpicas se renova e surpreende a cada renovação de ciclo, com amor incondicional ao futebol, mantém, no corpo suado, as cores do Brasil mundo afora.

Por música

A música de Marta e Pia em frente a uma câmera de TV, na véspera da estreia, encanta o ambiente dentro do trabalho sério de mulheres e homens da seleção brasileira atual em busca o ouro olímpico na terra das gueixas.

Tóquio

A abertura dos Jogos será na sexta, 21/7, mas, dois dias antes, tarde no Japão e madrugada no Brasil, a seleção brasileira de futebol feminino entrou em campo para vencer as chinesas e estrear com o pé direito.
Ao sair do campo após a goleada de 5 a 0 na estreia, a capitã Marta, sempre humilde, enfatizou que a seleção começou os Jogos com o pé direito.
É bem possível que muitos homens e mulheres tenham acordado para assistir ao primeiro jogo do Brasil na Olimpíada de Tóquio, ou mesmo tenham aproveitado o relógio que já os desperta todos os dias, para chegar ao transporte coletivo com seus telefones celulares ligados em rádios ou sites, pré-pagos ou não, para acompanhar e vibrar com os gols de Marta — marcou dois —, Debinha, Andressa Alves e Bia Zaneratto e a goleada seleção brasileira na estreia da Olimpíada de Tóquio 2021. Que a chama da olimpíada aqueça, ilumine e proteja atletas e profissionais que trabalham nos Jogos! Que venha o ouro olímpico!

Foto: CBF

Compartilhar:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Curta nossa página no Facebook e acompanhe as crônicas mais recentes.

Crônicas Recentes.