O esporte e os paradoxos humanos

Aos poucos vai chegando o tempo em que o esporte, finalmente, se encontra, se percebe, como parte do ser humano. Tão potente quanto qualquer expressão artística, a física tão significante quanto a filosofia, a metafísica. Sujeito a todas as determinantes que regem a vida em sociedade, como a sociologia, a política, a economia, etc.
Preâmbulo ditado pela observação de que o sofrimento mental e os abusos vividos pela Simone Biles são tão importantes quanto suas performances. Ou mais, muito mais. Pois não mais importa mais se a Rebeca não levou uma terceira medalha. Ela já faz história.
Os burocratas do esporte seguirão debatendo se vale ou não vale protesto nos Jogos, enquanto a Raven Saunders cruza impávida os braços sobre a cabeça multicor em defesa dos LGBTQI+ e de todos os oprimidos.
Não quero aqui sociologizar as Olimpíadas. Nem tenho competência pra isso. Quero apenas externar a convicção de que esporte se faz no contexto global de tudo que diz respeito ao ser humano. E não adianta querer castrar uma ou outra parte desse complexo ser. Ele existirá inteiro, e tanto mais íntegro quanto mais livremente puder se expressar.
Adoro o atletismo. Gosto de todos os jogos, das disputas coletivas e individuais. Só não me atraem as lutas, por um atávico pacifismo que renega em mim a às vezes necessária agressividade e o horror ao sangue derramado.
Mas do que mais gosto é do atletismo. Atletismo é o ser humano desafiando o tempo e o espaço. É o homem/mulher contra a natureza. Contra as leis da física, da gravidade. Mais rápido, mais longe, mais forte. Haverá limite? Qual? É o paradoxo: uma hora corremos abaixo de 10 segundos, depois abaixo de 9, virá o 8, virá o 7? E lançaremos o dardo além de 100 metros? Um dia a 101, a 200?
Por quanto tempo resistiremos, a que distâncias chegaremos? Ser humano é não crer nos limites e seguir desafiando.

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