Qual é o laço que nos liga?

Um laço, feito com uma fita. Um laço, afeto que nos liga. Elos de ligação, abraço, o entrelaçar-se dos corpos.
Quando criança, as tranças do meu cabelo eram feitas com fitas, muitas delas e de toda as cores, e que com um laço minha mãe dava o toque final ao acabamento. Doía a puxada no cabelo para que o resultado saísse perfeito.
Hoje, as tranças dos penteados infantis ficaram no passado. Não sinto mais a dor dos puxões, por outro lado, dói perceber um mundo sem laços, sem afetos a nos ligar.
Por isso, não é difícil entender – e não se afetar – pela fita rompida na final dos 100m da categoria T11 para deficientes visuais nas Paralimpíadas de Tóquio, quando a brasileira Jerusa Geber arrebentou a fita que a ligava ao guia Gabriel dos Santos.
Favorita ao pódio, sem nem cruzar a linha de chegada, Jerusa sentou e por ali chorou. Doeu nela, e também em nós, a perda de uma medalha pela fita rompida em seu limite, assim como foi o choro de Jerusa, o seu limite.
Mas a vida pede continuidade, novos laços são possíveis. Abraçada em afeto pelo seu guia, Jerusa fez renascer ali, numa pista de corrida, o laço para não desistir. E assim como ela, e junto a ela, deveríamos todos nós nos enlaçar.
Foto: Christopher Jue/Getty Images

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