Eu, praticamente um campeão olímpico

     Sou bom nesse negócio aí de jogos olímpicos. Eles sempre puderam contar com minhas memoráveis participações.

     No atletismo, por exemplo: já fiz 100 metros em tempo recorde, correndo atrás do ônibus elétrico que subia a Augusta. Ou nos 100 metros com barreira, quando levei um carreirão de um ganso no sítio de um amigo (até hoje não sei por que motivo) e tive que pular um muro.

     Excelente desempenho também no hipismo, saltando a cavalo o corguinho que passava na estrada de terra da Santa Maria da Fartura. E quando o cavalo se assustava com alguma rolinha estabanada, com que destreza precisei controlar a situação com rédea curta.

     Já participei de várias maratonas, em particular no Carnaval em Olinda de 87 e 88, quando escalávamos as ladeiras o dia inteiro, e íamos dormir na manhã seguinte, já com sol alto.

     Na natação, bom, aí confesso que fui um fiasco: na água, sempre preferi ficar boiando, subindo e descendo conforme o movimento das marolas.

     No salto com vara, minhas sucessivas desqualificações têm uma explicação: a pouca resistência das varas de pescar e dos bambus disponíveis.

     No tênis de mesa, tenho chances de pódio, desde que assumam de vez o nome de pingue-pongue.

      Como quando roubaram na cara dura o João do Pulo nas Olimpíadas de Moscou, em 1980, também encarei algumas injustiças: meu talento no batuque em teclado e, sobretudo, no papo de mesa nunca foi reconhecido.

     Ia dizer ainda que era (ainda sou) bom no levantamento de copo, mas, além do chiste ser velho e manjado, preciso dar o exemplo às novas gerações.

     E como assim, amigos do COI, a sinuca não é considerada um esporte olímpico? Francamente. Uma sinuquinha bem jogada é coisa fina, faz bem ao corpo e mente. Aquela coisa de “mens sana in corpore… corpore…” –  ah, deixa pra lá.

     Alvíssaras: o beisebol voltará a ser esporte olímpico em Tóquio. Aí, vai ser moleza, tanto jogo de taco eu disputei nas ruas de terra por esse Brasilzão afora.

     Nos saltos ornamentais, não sei se conseguiria qualificação. Mas que dei uns pulos criativos de alguns trampolins, principalmente quando escorregava, dei.

     Já recebi aplausos consagradores pelas minhas performances, como não? As vaias preferi não ouvir, tenho uma espécie de ouvido seletivo, sou surdo aos sons que não me agradam. Que o diga dona Celina, quando gritava da cozinha para eu arrumar o quarto.

     Até o hino nacional já cantei, emocionado e de olhos fechados. Foi quando fui dispensado do Exército e jurei bandeira, em 1979.

     Reconheço que minhas chances maiores estão em categorias que já deviam ter sido elevadas a esportes olímpicos, como pegar jacaré nas ondas do mar, arremesso de papel amassado no lixo (sou bom nisso), apertar campainha e sair correndo (ando meio destreinado, faz muito tempo), e remover caroço de azeitona.

    Por tudo isso, me considero pronto para encarar Tóquio 2021.

Cerveja a postos, amendoim e batatinha estocados, que comecem os jogos. Deixei até um cobertorzinho de butuca.

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